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Conteúdo publicado em parceria com o Instituto Phomenta

Para muitas organizações sociais, a relação com o setor privado ainda é vista sob a ótica limitada do “patrocínio” ou da “doação única”. No entanto, o cenário brasileiro está passando por uma transformação profunda. As empresas deixaram de ser apenas “fontes de recursos financeiros” para se tornarem plataformas de engajamento.

Se queremos tirar o Brasil da incômoda 89ª posição no World Giving Index (IDIS), o setor corporativo é o motor que pode acelerar essa mudança. Mas o que isso significa para as ONGs que buscam parcerias? Entender o papel corporativo é a chave para transformar uma transação financeira em uma aliança de impacto.De acordo com a pesquisa Brasil Giving Report, coordenada pelo IDIS (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), a confiança é o principal pilar que move o doador brasileiro. Quando uma empresa decide apoiar uma causa, ela “empresta” sua credibilidade à organização parceira, funcionando como um selo de verificação para seus clientes e colaboradores.

As corporações possuem algo que muitas organizações lutam para conquistar: escala e capilaridade. Ao abrir seus canais de comunicação e pontos de venda para o impacto social, a empresa passa a educar o consumidor e seus próprios colaboradores sobre a importância de contribuir com causas sociais.

Para as ONGs, o papel das empresas aqui é o de facilitadora. O varejo transforma o ato de doar em algo cotidiano, fluido e integrado à rotina, ajudando a quebrar o tabu de que a doação é um evento extraordinário. E a ascensão da agenda ESG (Environmental, Social, and Governance) mudou a conversa. Hoje, o papel das empresas na cultura de doação é estratégico, inclusive visando o mercado e a concorrência. Elas buscam projetos que tenham sinergia com seu modelo de negócio de forma a agregar e gerar visibilidade às ações de responsabilidade social incentivadas.

Para que essa cultura se fortaleça, a relação deve ser de mão dupla. As empresas têm o papel de mobilizar, mas as ONGs têm o papel de entregar transparência, além do impacto.

Dados do IDIS reiteram que o doador – seja ele pessoa física ou jurídica – quer saber como o dinheiro foi aplicado. Empresas que investem socialmente precisam de indicadores, relatórios de impacto e histórias reais para prestar contas aos seus stakeholders.

O papel das empresas na cultura de doação é o de um ecossistema de influência. Elas têm o poder de normalizar a generosidade, tornando-a parte da identidade do consumidor brasileiro.

Para as organizações da sociedade civil, o desafio e a oportunidade residem em enxergar as empresas não apenas como um “caixa eletrônico”, mas como parceiras de comunicação e educação social. Quando o setor privado assume sua responsabilidade, a doação deixa de ser uma exceção e passa a ser o novo padrão de comportamento da sociedade.


Camila Pasin – Jornalista formada pela Unesp, fotógrafa e atua no terceiro setor desde 2016. Atualmente é Gerente de Parcerias no Movimento Arredondar, onde lidera frentes de comunicação, relacionamento com marcas e expansão de parcerias voltadas ao impacto social.

Com passagens pela Imagemagica e pela agência Ader&Lang, tem experiência em estratégias de captação, engajamento e campanhas para causas sociais. É autora do livro de fotorreportagem Morada, que retrata a desigualdade urbana no interior paulista.

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