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Conteúdo produzido em parceria com o Movimento Por uma Cultura de Doação e publicado na newslleter do Dia de Doar

Quando o PIX foi lançado, em 2020, poucas pessoas imaginavam que em poucos anos ele se tornaria parte da rotina de milhões de brasileiros. Hoje, pagar ou receber por esse método é tão natural quanto enviar uma mensagem de texto.

Para além de uma inovação tecnológica, o sistema brasileiro se tornou um caso de sucesso internacional. O PIX foi apresentado pelo G20 como uma boa prática de inclusão financeira e passou a ser observado por governos e instituições de diversos países.

E isso tem a ver com cultura de doação mais do que imaginamos. O PIX não é apenas uma ferramenta financeira, é uma mudança de paradigma na forma como lidamos com o fluxo de capital. Diante dessa facilidade técnica, será que ficou, de fato, mais fácil doar?

A edição mais recente da Pesquisa Doação Brasil, referente a 2024 e divulgada em 2025, mostrou que o volume estimado de doações individuais atingiu R$ 24,3 bilhões, um crescimento expressivo em relação à edição anterior. Embora o estudo não apresente uma atualização sobre a participação do PIX nesse total, os resultados reforçam o avanço da cultura de doação no país e a consolidação de novos hábitos de contribuição.

Muitas pessoas já tiveram a experiência de querer contribuir com uma causa e desistir no meio do processo. Procurar dados bancários, acessar outra plataforma, preencher formulários ou enfrentar etapas burocráticas acabava se tornando uma barreira. E o PIX reduziu grande parte desse atrito, a praticidade permitiu que organizações sociais, campanhas emergenciais e iniciativas comunitárias encontrassem novas formas de mobilizar recursos.

A democratização dos meios de pagamento trouxe uma inegável vantagem para as Organizações da Sociedade Civil (OSCs). Antigamente, o doador precisava enfrentar filas de banco, preencher boletos ou lidar com taxas de cartão de crédito que, muitas vezes, inviabilizavam doações de baixo valor. Ao simplificar a experiência da doação, o sistema contribuiu para aproximar mais pessoas das causas sociais, mostrando que, muitas vezes, o desafio não está na disposição para contribuir, mas na existência de caminhos acessíveis para que esse apoio aconteça.

Uma oportunidade para ampliar a participação social

Apesar de estarmos avançando na batalha da logística financeira, a filantropia ainda esbarra em obstáculos que nenhuma atualização de sistema pode resolver, pois a decisão de doar permanece uma escolha humana. O brasileiro é generoso, mas é cético e a agilidade da transação não substitui a necessidade de transparência. Além disso, a cultura de doação é construída sobre vínculos, empatia e engajamento de longo prazo, não apenas sobre a rapidez com que o recurso troca de mãos.

Quando os obstáculos diminuem, abre-se espaço para que mais pessoas experimentem a doação e percebam que contribuir para uma causa não exige grandes recursos, mas disposição para participar.

No entanto, transformar essa primeira experiência em um hábito depende de um esforço coletivo. As organizações sociais têm um papel essencial ao comunicar seu impacto com transparência e fortalecer o relacionamento com seus apoiadores. Mas elas não estão sozinhas nessa missão.

Empresas podem incorporar mecanismos que facilitem a doação no cotidiano de seus clientes e colaboradores. Os veículos de comunicação contribuem ao ampliar a visibilidade das causas e das organizações, ajudando a construir confiança e conscientização. O poder público pode criar um ambiente mais favorável à participação cidadã, seja por meio de políticas de incentivo, seja pelo fortalecimento do ecossistema da sociedade civil. E cada cidadão também exerce um papel importante ao reconhecer a doação como uma forma de participação social e corresponsabilidade.

A cultura de doação se fortalece quando diferentes setores atuam de forma complementar, criando oportunidades para que doar seja um gesto cada vez mais simples, acessível e presente na vida das pessoas.

O crescimento das doações via PIX mostra que a tecnologia pode acelerar esse processo ao reduzir barreiras e aproximar pessoas das causas. Mas seu verdadeiro potencial está em servir como uma ponte entre a intenção de contribuir e a construção de uma sociedade mais engajada com o bem comum.

Se soubermos aproveitar esse contexto para ampliar a participação social, fortalecer a confiança nas organizações e estimular o engajamento com as causas, talvez o maior legado do PIX vá além da transformação dos meios de pagamento. Talvez ele seja a oportunidade de consolidar uma cultura em que contribuir para o bem comum seja tão simples, e tão natural, quanto fazer uma transferência pelo celular.

Por Camila Pasin, Gerente Institucional do Movimento Arredondar

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