Em 2026, o Movimento Arredondar completa 15 anos de uma trajetória dedicada a aproximar pessoas, empresas e organizações sociais por meio de um mecanismo simples, que permite aos consumidores arredondarem o valor de suas compras e destinarem os centavos excedentes para causas sociais. Criada em 2011 por Ari Weinfeld e Nina Valentini, a iniciativa partiu da percepção de que pequenas quantias, quando mobilizadas em escala e de forma recorrente, poderiam se transformar em uma nova maneira de estimular a cultura de doação no Brasil.
A proposta nasceu com o desafio de inserir a doação em um momento cotidiano, sem exigir grandes valores ou mudanças significativas de comportamento. Ao finalizar uma compra, o consumidor pode optar por arredondar o total e doar a diferença, transformando centavos que poderiam passar despercebidos em recursos destinados a organizações sociais. Ao longo dos anos, o modelo passou por diferentes formatos e parceiros, acompanhando também as transformações do varejo e dos meios de pagamento.
A construção do Arredondar começou antes da primeira doação. Foi necessário compreender a realidade das organizações sociais, desenvolver um modelo que pudesse ser incorporado à operação das empresas e criar processos capazes de garantir segurança e transparência na destinação dos recursos. A trajetória profissional de seus fundadores também contribuiu para essa combinação de diferentes perspectivas, enquanto Ari vinha de uma experiência no setor privado, Nina já mantinha uma relação próxima com o terceiro setor e com iniciativas de impacto social.
A possibilidade de ampliar a participação das pessoas por meio de pequenas contribuições esteve presente desde os primeiros anos. Em 2016, fomos reconhecidos pelo Prêmio Empreendedor Social da Folha de São Paulo e, durante a premiação, Nina destacou o potencial das microdoações como uma primeira aproximação com diferentes causas, capaz de abrir espaço para outras formas de engajamento. A visão acompanha a atuação do Arredondar até hoje, que busca não apenas mobilizar recursos, mas também inserir a doação de maneira mais natural na rotina das pessoas.
Dos primeiros centavos a milhões de microdoações
Os números registrados ao longo dos últimos 15 anos mostram como a proposta ganhou escala. Em 2015, quatro anos após a fundação, o Arredondar contava com 21 parceiros, apoiava 16 organizações e havia arrecadado cerca de R$ 162 mil naquele ano. A expansão continuou nos anos seguintes e, em 2019, o valor acumulado desde a criação do Movimento ultrapassou R$ 4 milhões arrecadados, enquanto mais de 8 milhões de doações foram realizadas somente naquele ano. Atualmente, os números institucionais ultrapassam os 75 milhões de microdoações realizadas ao longo da trajetória, mais de R$ 15 milhões arrecadados e 92 organizações sociais que já receberam recursos, além de uma rede que alcançou mais de 2.600 lojas físicas conectadas aos sistemas de doações no caixa e autoatendimento.
A evolução mostra que a relevância das microdoações está menos no valor individual de cada contribuição e mais na capacidade de mobilizar um grande número de pessoas de forma contínua. Vale destacar que o impacto social não depende exclusivamente de grandes doações, mas também do volume de pessoas envolvidas e da recorrência de pequenas contribuições, uma lógica que permanece no centro da atuação do Arredondar desde sua criação.
Parcerias que ampliaram o alcance das doações
A participação das empresas foi determinante para que o modelo ganhasse escala, já que são as marcas parceiras que incorporam a possibilidade de arredondamento aos seus canais de venda e aproximam milhões de consumidores das causas apoiadas. Ao longo dos 15 anos, empresas de diferentes segmentos fizeram parte dessa trajetória, criando novas oportunidades de doação e permitindo que o Movimento alcançasse públicos diversos.
Entre as parcerias de maior duração está a com o Burger King, iniciada em 2018. Desde então, mais de 34 milhões de microdoações foram realizadas, alcançando mais de R$ 7 milhões arrecadados. A destinação dos recursos acompanhou diferentes frentes ao longo dos anos e atualmente está relacionada a organizações que atuam no combate à fome, mostrando também como as parcerias podem evoluir conforme as prioridades sociais e as estratégias desenvolvidas em conjunto.
Na causa animal, a parceria com a Petz, iniciada em 2019, ultrapassou R$ 5 milhões arrecadados e reuniu mais de 25 milhões de microdoações ao longo de sua trajetória, com 26 organizações sociais apoiadas. O resultado demonstra como uma contribuição de poucos centavos realizada no momento de uma compra pode ganhar outra dimensão quando passa a fazer parte da rotina de milhões de consumidores.
Outra parceria de longa duração foi construída com o GPA e, em 2025, quando a completou nove anos, mais de 9 milhões de microdoações já haviam resultado em R$ 2,5 milhões arrecadados para iniciativas relacionadas principalmente à alimentação e à educação. Somadas às demais empresas que fizeram ou ainda fazem parte da rede, essas experiências mostram como o varejo pode se tornar um canal permanente de aproximação entre consumidores e organizações sociais.
Recursos que chegam a diferentes causas e territórios
Ao longo dessa trajetória, os valores mobilizados chegaram a organizações que trabalham diariamente em áreas como segurança alimentar, educação, saúde, proteção animal, desenvolvimento comunitário e inclusão social. O recurso arrecadado por meio das microdoações é destinado às organizações apoiadas, que podem direcioná-lo às necessidades consideradas prioritárias em sua atuação, respeitando a realidade de cada instituição e de cada território.
Essa característica permite que os centavos arrecadados sejam incorporados às atividades desenvolvidas pelas organizações e contribuam para diferentes frentes de atuação. Por trás dos números acumulados ao longo dos 15 anos estão refeições oferecidas, atendimentos realizados, animais protegidos, atividades educativas, projetos comunitários e diversas outras iniciativas conduzidas pelas organizações que recebem os recursos.
O processo também envolve quem está na outra ponta da experiência de doação. Colaboradores das marcas parceiras apresentam a possibilidade de arredondamento aos consumidores, enquanto milhões de pessoas decidem participar com pequenas quantias. Essa relação entre empresas, equipes, consumidores e organizações sociais transformou uma operação aparentemente simples em uma rede de mobilização que se renova a cada compra.
Uma história construída de forma coletiva
Ao completar 15 anos, o Arredondar chega a um momento em que os resultados permitem observar as mudanças na forma como empresas e consumidores se relacionam com o impacto social. A possibilidade de doar poucos centavos durante uma compra reduz barreiras para a participação e cria um contato recorrente com causas que, muitas vezes, estavam distantes da rotina das pessoas.
Para Ari e Nina, a construção dessa trajetória sempre esteve relacionada à força da participação coletiva. O modelo criado em 2011 partiu justamente da compreensão de que uma pequena contribuição individual poderia parecer limitada quando observada isoladamente, mas adquirir relevância quando repetida por milhares ou milhões de pessoas.
Quinze anos depois, os mais de 75 milhões de registros de microdoações mostram a dimensão que essa escolha cotidiana alcançou. Mais do que representar um marco institucional, o aniversário permite reconhecer uma história construída entre organizações sociais, empresas, colaboradores, consumidores e todas as pessoas que participaram do desenvolvimento do Movimento ao longo desse período.
O Arredondar inicia agora um novo capítulo mantendo o princípio que orientou sua criação em 2011, tornar a doação cada vez mais acessível, presente no cotidiano e conectada às necessidades das organizações sociais. O desafio para os próximos anos é ampliar essa rede, criar novas oportunidades de participação e continuar fortalecendo a cultura de doação no Brasil.
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