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Conteúdo publicado na Folha de São Paulo

  • Parceria entre Petz e Movimento Arredondar beneficiou 26 organizações de proteção animal no país
  • Modelo democratiza a contribuição ao incorporar microdoações no momento do pagamento

Ao longo dos últimos anos, tenho refletido bastante sobre como a cultura de doação se constrói no cotidiano. Muitas vezes imaginamos que gerar impacto social depende apenas de grandes doações ou de grandes iniciativas. No entanto, na prática, algumas das transformações mais significativas nascem de gestos simples, repetidos por muitas pessoas.

Quando se fala em doação, é comum que venha à mente a ideia de grandes contribuições ou campanhas pontuais. Porém, quando o ato de doar se torna acessível e passa a fazer parte do dia a dia das pessoas, ele ganha uma dimensão coletiva capaz de gerar mudanças concretas.

Cães para adoção em Navegantes (SC) participam do Dia da Cãosciencia – Luh Royo/Divulgação/Prefeitura de Navegantes

Historicamente, o Brasil ainda enfrenta desafios no fortalecimento de uma cultura de doação mais estruturada.

Pessoas desejam contribuir, mas nem sempre encontram caminhos práticos para fazê-lo de forma recorrente. Quando o convite para doar surge de maneira simples, como no momento do pagamento de uma compra, o ato deixa de ser algo distante e passa a integrar a rotina.

Esse modelo também democratiza a doação. Não é necessário realizar grandes contribuições para gerar impacto. O que realmente importa é o volume de pessoas envolvidas e a constância desses pequenos valores ao longo do tempo.

Foi justamente a soma desses pequenos gestos que permitiu alcançar um marco importante: R$ 5 milhões arrecadados via microdoações realizadas nas lojas da Petz, em parceria com o Movimento Arredondar.

Mais do que um número, esse resultado evidencia o potencial existente quando criamos mecanismos simples e acessíveis para que as pessoas contribuam com causas sociais no seu cotidiano.

O varejo desempenha um papel fundamental nesse processo. Todos os dias, milhões de consumidores passam pelos caixas das lojas. Quando esse momento se transforma em uma oportunidade de mobilização social, abre-se um canal poderoso de engajamento coletivo.

Observa-se também um interesse crescente da sociedade por causas ligadas ao bem-estar animal. Dados da Pesquisa Doação Brasil 2024, do Idis (Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social), indicam que 10% das doações realizadas no país em 2024 foram destinadas à causa animal.

Embora ainda represente uma parcela menor em comparação com áreas tradicionais, como infância, saúde ou combate à fome, esse número revela um campo relevante de mobilização social e um grande potencial de crescimento.

No caso da iniciativa desenvolvida com a Petz, os recursos arrecadados são destinados a organizações que atuam diretamente na proteção e no cuidado com os animais. Ao longo desse período, 26 organizações foram apoiadas, ampliando sua capacidade de atuação em diferentes regiões do país.

Ari Weinfeld – Fundador e presidente do Conselho do Movimento Arredondar, é economista, investidor social e empreendedor social

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